Diga não à legalização da Maconha!

Em um tempo em que se discute o pai nosso sem pedir a opinião do vigário e em que turbas se deslocam tropegamente pelas ruas, inspiradas por uma “Intelligentsia tupiniquim”, clamando pela legalização da maconha, fico profundamente seduzido em divulgar as evidências científicas acerca dos efeitos dessa droga sobre o cérebro humano, sobretudo durante a sua formação.

O esforço é válido, mesmo sabendo que essa qualidade de evidências nada apita na hora que os políticos desse país se reúnem para decidir nossas leis ou dirigentes se mobilizam para “inventar” políticas públicas.
Diretrizes clínicas como as da Academia Americana de Pediatria, estudos clínico-epidemiológicos e as mais recentes pesquisas de neuroimagem funcional comprovam que a droga ilícita mais utilizada no planeta deixa marcas indeléveis no cérebro e na vida dos seus usuários crônicos.

Entre os efeitos de curto prazo destacam-se o comprometimento da memória de curto prazo (dificultando o aprendizado e a retenção da informação) e da coordenação motora (interferindo na habilidade de dirigir, aumentando o risco de acidentes), prejuízo do raciocínio e julgamento (aumentando comportamentos sexuais de risco que facilitam gravidez indesejada e transmissão de DSTs) e em altas doses provocando paranoia e psicoses agudas. Entre os de longo prazo, a adição (cerca de 9% dos usuários tais, 17% dos que iniciam o uso na adolescência e entre 25 e 50% dos que fazem uso dela diariamente), as alterações no desenvolvimento cerebral, o pobre desempenho escolar (com alto risco de evasão), o prejuízo cognitivo (incluindo mais baixo QI entre adolescentes usuários frequentes), a menor satisfação e desempenho de vida (comparado à população geral), os sintomas de bronquite crônica e o risco aumentado de desenvolver Transtornos Psicóticos, entre os quais a esquizofrenia.

Estudos de neuroimagem funcional que acabam de sair do forno do Centro Médico da Universidade de Colúmbia e do Instituto de Psiquiatria de Nova York, confirmam o efeito devastador do tetrahidrocanabinol sobre a neurotransmissão dopaminérgica em circuitos cerebrais intimamente relacionados à atenção, motivação, recompensa e cognição (núcleos estriado e caudado).

As evidências mostram que os mais deletérios efeitos ocorrem quanto mais precoce for a exposição, qual seja na fase de maior plasticidade cerebral que se estende da infância até o início da vida adulta.
Legalizar a maconha por questionáveis “boas intenções” como combater o tráfico de drogas, nada mais é que automaticamente expor cérebros em desenvolvimento ao seu uso, abuso, dependência e sequelas. Mais uma vez a criança e o adolescente terão seus direitos ignorados e pagarão a conta de uma sociedade que não presa pela Ciência nem por suas futuras gerações.

Referências:

The impact of marijuana policies on youth: clinical, research, and legal update. Committee on Substance Abuse, Committee on Adolescence; Committee on Substance Abuse Committee on Adolescence. Pediatrics. 2015 Mar;135(3):584-7. doi: 10.1542/peds.2014-4146.

Adverse health effects of marijuana use. Volkow ND, Baler RD, Compton WM, Weiss SR. N Engl J Med. 2014 Jun 5;370(23):2219-27.

Cannabis and psychosis. Fergusson DM, Poulton R, Smith PF, Boden JM. BMJ. 2006 Jan 21;332(7534):172-5.
Cannabis and the brain. Iversen L. Brain. 2003 Jun;126(Pt 6):1252-70.
American Academy of Pediatrics. Committee on Substance Abuse. Marijuana: A continuing concern for pediatricians. Heyman RB, Anglin TM, Copperman SM, Joffe A, McDonald CA, Rogers PD, Shah RZ, rmentano M, Boyd GM, Czechowicz D. Pediatrics. 1999 Oct;104(4 Pt 1):982-5.

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