Semancol!

Sempre foram expressões comuns na crítica cotidiana “fulano está se achando”, “sicrano não se enxerga?” ou “beltrano precisa tomar Semancol!”. O que poucos sabem que “tomar Semancol e se enxergar para não correr o risco de se achar” é uma função executiva processada em circuitos do córtex pré-frontal denominada automonitoramento.

É certo que muitos que precisam tomar Semancol, se acham e não se enxergam certamente não apresentam disfunção nessa área cerebral, comportam-se assim por puro prazer narcísico ou por outros mecanismos bem explicados por Sigmund. No entanto, muitos outros assim funcionam por problemas de hardware (cérebro), como no caso do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou de software (programas), quando o processo educacional não foi eficaz em estimular essa importante habilidade cognitiva.

Automonitorar é a capacidade de perceber e avaliar seu próprio desempenho, seja numa situação social, seja na execução de tarefas. Todas as demais funções executivas dependem da habilidade de o indivíduo se monitorar em tempo real. Estudantes de sucesso conseguem calibrar a qualidade de sua atenção, compreensão e produção em situações de aprendizado e fazer ajustes de acordo com o grau de dificuldade que se apresenta. Se a criança tem consciência da qualidade de sua atenção, perseverança, organização, autocontrole e produção na medida em que executa uma tarefa, ela é capaz de modular seu desempenho e o ambiente a sua volta de forma a aprender melhor.

Crianças com dificuldades de monitorar apresentam risco 1,9 vezes maior (90%) de baixo desempenho escolar, 2,9 vezes maior (190%) de problemas de saúde mental e 22,5 vezes maior (2.150%) de ser portadora de TDAH2.

Crianças que não são boas em se monitorar podem não perceber que não estão seguindo as instruções até que alguém aponte isso para elas. Tendem a avaliar mal seus próprios esforços e têm dificuldade para ajustar o que estão fazendo com base em observações ou dicas de outras pessoas. Essas crianças frequentemente se surpreendem com uma nota baixa numa prova ou projeto.

Se manca gente e vem participar conosco da COMUNIDADE APRENDER CRIANÇA!

1 Arruda, M. A. & Arruda, R. (Instituto Glia, Brasil, 2015).
2 Arruda, M. A., Mata, M. F. & Arruda, R. Executive functions, mental health and school performance in preadolescent children: a population-based study submitted (2015).

Dr. Marco Antônio Arruda
Diretor do Instituto Glia
Neurologista da Infância e Adolescência
Doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo

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